CONFERÊNCIA REGIONAL DE CULTURA DO NOROESTE EM MIRACEMA

25 09 2010

No centro: prefeito Ivany Samel e secretária Adriana Rattes

Com a participação da secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, ao lado do prefeito Ivany Samel, Miracema sediou, no último dia 11, a Conferência Regional de Cultura do Noroeste, com a participação dos 13 municípios da região. Ao final do evento, os artistas, produtores, agentes culturais, representantes de entidades e gestores públicos participantes apontaram potencialidades e carências que servirão de base para as propostas de melhoria efetiva das ações culturais fluminenses e elegeram dois delegados – a secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Miracema, Luciana Rodrigues de Moura Souza, representando o poder público, e Rogério de Oxossi, pela sociedade civil – para representar o Noroeste no grupo de coordenação ampliada que apresentará as propostas de políticas públicas para a cultura em âmbito estadual.

Participaram também da Conferência do Noroeste realizada no Centro Cultural Melchíades Cardoso, em Miracema: os secretários municipais de Cultura de Aperibé (Cássia Rosane Amim Pontes), Bom Jesus do Itabapoana (Sávio Sabóia da Fonseca), Italva (Angela Gomes Poz), Itaocara (Henrique Resende), Laje do Muriaé (Dayana Aparecida Lima Romualdo), Natividade (Maria Cristina de Figueiredo Vieira), Pádua (Vera Lúcia Kezen Camilo Jorge), São José de Ubá (José Cosme Andrade de Lima) e Varre-Sai (Carlos Alberto da Silva); a diretora de Cultura de Itaperuna, Elizabeth Vitória de Oliveira Costa Rezende; a diretora do Centro Cultural Melchíades Cardoso, Ana Lúcia lima da Costa; a pedagoga da Secretaria de Educação e Cultura de Cambuci, Maria Florentina Dias de Assis; a subsecretária de Relações Institucionais da Secretaria estadual de Cultura, Olga Campista; a diretora-geral do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), Maria Regina Pontin de Mattos; o 1º secretário da Câmara Municipal de Miracema, vereador Paulo César da Cruz de Azevedo, e a vereadora Nedi Damasceno; secretário de Indústria e Comércio de Itaocara, Arnaldo Pereira Ventura; presidente da Federação das Associações de Moradores de Miracema (Fammira), Harlei de Oliveira; artistas, produtores, agentes culturais, representantes de entidades, secretários de cultura e outros gestores públicos de Aperibé, Bom Jesus do Itabapoana, Cambuci, Italva, Itaocara, Itaperuna, Laje do Muriaé, Miracema, Natividade, Porciúncula, Santo Antônio de Pádua, São José de Ubá e Varre-Sai.

A meta principal da Conferência Regional de Cultura foi aprofundar o diagnóstico obtido nos Encontros Municipais de Cultura recém-realizados em todos os municípios da região. Ao final desse processo, as propostas do Plano Estadual de Cultura serão consolidadas em um projeto de Lei Estadual da Cultura. Todo esse trabalho é desenvolvido em conjunto pela Secretaria estadual de Cultura e secretarias municipais do setor, com apoio do Ministério da Cultura.

Foram duas conquistas importantes nestes últimos dias: tantosediar a Conferência, quanto elegermos dois delegados para as reuniões futuras. A realização desta Conferência em Miracema se deu principalmente por causa da repercussão do nosso trabalho junto à Secretaria de Estado de Cultura. Temos pela frente o Projeto Banda Larga, a reforma do prédio da Banda 7, o Projeto Noites Culturais, alem de vários outros projetos em parceria com o Inepac, com a Secretaria estadual Cultura e com os grupos das mais variadas manifestações culturais de Miracema. Tudo isso é a recompensa pela dedicação a um trabalho honesto e sério, reconhecido por aqueles que realmente entendem e vivem a cultura – disse o diretor de Cultura da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Mário Lúcio Lima da Costa.

Junto de vereadores, da secretária Adriana Rattes, da diretora geral do Inepac, Regina Pontin o prefeito de Miracema visitou alguns pontos do Centro Histórico da cidade como: a rodoviária (antiga estação ferroviária), o Solar Dona Brasileira e conversaram sobre a possibilidade de investirem no antigo prédio do Hotel Braga.

Com informações e imagem do Portal Notícias Noroeste e da Rádio Princesinha do Norte (AM – 1530KHz)

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A CONFERÊNCIA DE CULTURA DA REGIÃO NOROESTE DO RJ SERÁ EM MIRACEMA

10 09 2010

Divulgação





CARNAVAL 2010

20 02 2010

Bloco Garotos do SerenoBloco Unidos da Jove, homenagem a Monteiro LobatoBloco Unidos da JoveGRES Unidos do Alto do CruzeiroGRES Unidos no Samba e na CorGRES Unidos no Samba e na Cor





FOLIA DE REIS NA NOITE DE NATAL

5 01 2010





SEU BENÉ E AS FOLIAS DE REIS

23 10 2009
"Seu Bené" Siqueira, aos 87 anos, em sua residência na rua Santo Antônio, 122, Miracema-RJ

"Seu Bené" Siqueira, aos 87 anos, em sua residência na rua Santo Antônio, 122, Miracema-RJ

Benedito Padilha de Siqueira, nasceu em 9 de julho de 1910 no sítio Boa Vista, de propriedade de seu avô paterno Teófilo Siqueira, na zona rural de Miracema, filho de Genuíno Antunes de Siqueira Sobrinho e Marianna Reveziana Padilha de Siqueira. Foi casado em primeiras núpcias com Maria de Souza Magalhães. Desse casamento nasceram 5 filhos: José Frederico, Aparecida, Maria Terezinha, Antônio Raymundo e Mariana. Em segundas núpcias casou-se co Maria Tostes Siqueira. Sem geração. Faleceu em 13 de janeiro de 2000 em Niterói. Está enterrado em Miracema. Usava sempre em qualquer atividade o slogan:

“Miracema, eu gosto de você ( Bené Siqueira)”.

No inicio dos setenta o Brasil era, pretensamente, o país do desenvolvimento e da modernidade. Milhões de brasileiros deixavam o campo dirigindo-se para as cidades. Velhas tradições, tanto da Mata Mineira como do Noroeste Fluminense, como as Folias de Reis, me lembro ainda garoto da Folia do Seu Joaquim Neves lá de Laranjal, tendiam a ser esquecidas ou confinadas nas periferias das cidades. De modo geral o movimento folclorista tinha pouquíssima visibilidade. Em Miracema as folias de reis aproximavam-se da total extinção. Tinham imensas dificuldades para adquirir seus instrumentos e suas roupas. Por este tempo, papai iniciava as tratativas para sua aposentadoria o que veio ocorrer em 1977. Mudando-se, definitivamente, para Miracema as velhas emoções sentidas lá no antigo Panorama, onde seu tio Frontino chegava a reunir 20 folias, retornaram com toda força. Papai dizia que juntava seus tostões para oferecer ao palhaço. Como veremos abaixo papai escreveu, por volta de 1979, alguns textos sobre o folclore miracemense que ele chamou de:

“O Folclore Exaltação de Miracema

A Folia de Reis nos traz muitas saudades, nos faz lembrar as grandes noitadas e alegrias daquele som quando crianças a Folia de Reis batia nas nossas portas com o bumbo a rufar e os cânticos dos foliões, fazia nos levantar da cama e apanhar o tostãozinho que guardamos para o palhaço e atrás da porta a gente tremia de medo do palhaço.
No ano de 1889 a 1891, Dona Mariana que tem quase 96 anos ainda se lembrava, com 6 a 7anos, seu tio levava as crianças para assistir o baile dos antigos escravos que formavam a Folia de Reis. O baile era realizado no antigo engenho velho da fazenda Cachoeira, onde socava café, fazia fubá onde tinha tronco e roda de bacalhau. Ali começou os grupos a formar as mais variadas Folias de Reis. Em 1920 vamos encontrar na fazenda Panorama as grandes concentrações de Folias de Reis, o fazendeiro Frontino A. Siqueira admirava as folias. Dali fazia concentração de seis a oito grupos em frente ao seu comércio durante todo o período, isto é, de 25 de dezembro a 5 de janeiro, corria tudo por conta do dito fazendeiro.
Ali eles disputavam em versos, sua melhor posição, melhor vestimenta, melhor bateria e melhor palhaço que cantava, chulava e pulava desafiando uns aos outros. Os seus instrumentos eram: sanfona, viola, triângulo-chucalho, tambor, pandeiro de coro de gato, bumbo, cavaquinho. A bandeira era toda enfeitada com fitas, flores e os três magos. A folia era formada com 12 foliões, com mestre e contra mestre, as vezes trazia dois palhaços, isto pouco acontecia, era um só com seu porrete que era indispensável e ia até a altura do pescoço para que ele pudesse descansar. Certa ocasião uma folia estava cantando numa casa depois de fazer a profecia, chegou a vez do palhaço chulear e dizer versos, mas certo momento embasbacou com os versos e não teve saída, então começou a suar que manchou o chão da casa, ele ficou envergonhado e saiu correndo deixando a folia e nunca mais quis vestir de palhaço.
01 de Janeiro de 1979
Com a participação de vários grupos folclóricos, foi realizado o ‘ Primeiro Encontro de Folias de Reis” que reuniu um grande número de pessoas que assistiram a evolução e exibição de sete Folias de Reis. O encontro foi realizado na rua Santo Antônio, 122, onde o coordenador e promotor do evento, Benedito Siqueira recepcionou os grupos. Após confraternização e apresentação das jornadas foi oferecido pelo coordenador um lanche completo aos foliões.
Este encontro, veio sobremaneira, mostrar a população a contribuição de que o Folclore do Norte Fluminense, especialmente em nossa Miracema, ainda está vivo. Para agradecer o apoio da Funarte fiz as quadrinhas:

Espero que esses versos
Não constitue um desastre
Quero agradecer de público
O apoio da Funarte

Ela deu apoio financeiro
com muito interesse
Para o Folclore de Miracema
Para que ele revivesse

As folias de Miracema
Não tem roupa para vestir
Se não fosse a Funarte
Elas não poderiam sair

Assim eu agradeço
Com grande emoção
Para ficar guardado
No fundo do coração

*Essa historieta foi escrita pelo filho José Frederico Siqueira Magalhães, em janeiro de 2009, em homenagem ao Bené Siqueira que foi o grande incentivador e lutador pela preservação da cultura das folias de reis em nossa cidade, Miracema. Pedimos ao filho que escrevesse sobre o pai, por total incapacidade nossa.





GRUPO CARA DA RUA – Ponto de Cultura

22 10 2009

O Grupo Cara da Rua é um projeto  que além de cumprir seu papel social com os jovens, ajuda a divulgar nossa cidade e nossa rica cultura popular.

Abaixo os vídeos do programa “interior.com”, que mostram um pouco desse belo trabalho.





O CAXAMBU DE MIRACEMA

18 10 2009
Apresentação do Caxambu de Miracema

Apresentação do Caxambu de Miracema, por Raymundo

Marcelo, autor do texto

Marcelo, autor do texto

Atualmente, o único grupo de caxambu ou jongo existente em Miracema é liderado pela Sra. Aparecida Rodrigues da Silva, popularmente conhecida como Aparecida Ratinho e por seu neto Rogério Mulato, responsável pela continuidade dessa tradicional manifestação de cultura popular, reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como Patrimônio Imaterial do Brasil.

Rogério Mulato, líder comunitário, ajuda sua avó na manutenção da manifestação, comandando reuniões, organizando festas, montando oficinas de artesanato cultural e dirigindo a Associação Senzala de Caxambu que agrega o grupo dos adultos e o grupo mirim que possui cerca de oitenta crianças e jovens do bairro.
Aparecida que é símbolo de resistência cultural da comunidade, dança desde os 14 anos de idade. Aprendeu com caxambuzeiros antigos e conhecidos de nossa história, como Maria Batuquinha e seu marido Sebastião Salú, Izabel de Almeida (a Izabel dos Cachorros), Augusto Munheca e Juraci Pepé, entre outros.

Segundo Aparecida Ratinho o caxambu, de origem africana, consiste em dança de terreiro, executada por homens, mulheres e, hoje em dia, até por crianças, formando uma roda sem a preocupação de formar pares. O solista ou “puxador de pontos”, “puxa” os cantos no centro da roda, improvisando saltos miúdos, balanceios, rodopios etc.

Os instrumentos acompanhantes são dois tambores, denominados tambu ou caxambu, candongueiro e uma cuíca que antigamente era feita de tonel de vinho ou cachaça, chamada de roncador.

Aparecida Ratinho no terreiro dançando o Caxambu
Aparecida Ratinho no terreiro dançando o Caxambu

Os ritmos executados nos instrumentos soam fortes e contagiam os integrantes da roda e toda assistência. O ronco obtido pela cuíca é responsável por tirar risos da platéia e dos próprios dançarinos do grupo, sobretudo se há na roda algum tipo engraçado, que imita animais ou tipos populares da cidade.

Os pontos (músicas) são tirados pelo dançador solista e respondidos pelo coro dos demais participantes.

O canto se inicia com os cumprimentos ao povo e aos caxambuzeiros presentes. Logo em seguida seguem os pontos que podem ser tradicionais, já conhecidos do grupo ou criados na hora, de acordo com o local da apresentação, com a paisagem do lugar, com os modos de vestir dos presentes ou com algum tipo popular presente. Antigamente, os integrantes da roda lançavam desafios que nem sempre eram respondidos, deixando a pessoa “presa no centro da roda” por várias horas e até mesmo dias, segundo contam os mais antigos.

As indumentárias femininas são do “tipo baiana”, geralmente brancas ou estampadas, preferencialmente confeccionadas de chitão. As masculinas são compostas de calças brancas, largas e de camisasconfeccionadas do mesmo tecido utilizado nas saias das mulheres.

A dança pode ser apresentada em qualquer época, sendo consideradas datas importantes as festas de São Benedito (13 de maio – dia também dos Pretos Velhos) e os festejos juninos.

Antigamente, no tempo de Maria Batuquinha e Izabel dos Cachorros, os grupos de caxambu se apresentavam na Praça da Estação, nas festas do João Cândido da Rodagem, nas festas do Sebastião Hipólito (dia 9 de agosto) na “rua do Biongo”, nos terrenos onde hoje se encontra edificado o Paço Municipal e principalmente nos comícios políticos.

Conta Aparecida, que existiam dois grandes grupos de caxambu o da UDN e do PSD. A UDN na época era presidida pelo Cel. Antonio Ventura Lopes e o PSD pelo Cap. Altivo Linhares.

Certa vez, foram para uma festa em Paraíso do Tobias, reduto eleitoral do Cap. Ventura Lopes. Após muitos fogos de artifícios e desfiles a cavalo, pediram para que Aparecida tirasse um “ponto” contra a UDN, e assim ela o fez:

“Virou o Tico-tico
e virou o sabiá
virou a UDN de perna pro ar”.

Interrompidos pela pancadaria que se iniciara, correram todos para os caminhões que os levariam de volta, quando de repente, uma nova confusão se formou. É que haviam soltado um gambá vivo dentro do caminhão com os integrantes da UDN.

A partir de 1985, após um trabalho de divulgação dos grupos de cultura popular desenvolvido pela Divisão de Cultura da Prefeitura de Miracema, o Grupo de Caxambu voltou a realizar apresentações nas praças e nas escolas da comunidade, suspensas por muitos anos pelas autoridades educacionais e religiosas por confundirem o caxambu com a macumba.

Atualmente, o grupo tem como meta a construção do “Espaço Multicultural do Caxambu”, composto de: palco para apresentações, capela, cozinha, vestiários, sala para exposição da memória do grupo, além de terreiro para as rodas de caxambu. O projeto foi desenvolvido pelo arquiteto Raymundo Rodrigues, contratado pela municipalidade durante a gestão 2005/2009.

Texto de Marcelo Salim de Martino, escrito e publicado em 1988, adaptado em 2009. Marcelo foi Diretor de Cultura do Município entre 1985 e 2008.